segunda-feira, 11 de outubro de 2010
sem pena da pena de morte
Hoje vi mais uma de minhas convicções se esvaírem como veia furada. Ainda bem que tenho muitas veias... E tenho também cada vez menos convicções. Estou tentando descarregar as cargas pesadas das lógicas... Das horas do Quintana
Cansei. Estou cada vez mais duralex, cedilex! Escreveu não leu, o pau comeu! Olho por olho, dente por dente! Isso significa que não estou gostando nem um pouquinho de dar a outra face pra bandido! Chega. Agora é: matou morreu! Estou hoje a favor da pena de morte. Coloquei o verbo no presente ( estou...) porque amanha posso me arrepender. Acho que minha veia não sangrou tudo o que tinha pra sangrar e meu lado maternal vai querer reconsiderar. Bom, mas o meu eu lógico não quer! O que ele quer mesmo é matar quem matou meu amigo Bivar. Agora chega de ter peninha de bandido. Chega de prisão. Chega de sustentarmos ladrão. Asasino. Bandido e principalmente o corrupto de colarinho branco que rouba dinheiro publico. Não há mais o que esperar pra ver se eles se arrependem e se CONVERTEM!
Que cadeia que nada... extermina!!!
As gangues estão cada vez mais super dotadas. Dotadas de tudo!Têm dotes e dotes. E nós aqui...sentados passivelmente esperando a morte por acreditarmos que a justiça de Deus e a dos homens do Brasil ainda poderá um dia ser feita.
Vai pra lá Juvenal!!! Me engana não,que agora já entendi:
A violência é fruto do poder e da falta dele. O ser humano não abre mão disso em prol de quem quer que seja. Ainda tem é quem os defenda mesmo quando é prêzo em flagrante e vira até cliente de advogado. Diga aí, se esse monte de prisão dá jeito???? Diga aí se esse monte de lei feita pra não se cumprir dá jeito??? Diga ai????
Não acredito mais nessa fé que nunca muda. Nessa mudança dos homens que não põe minha fé em pé. Nessa dança que sempre acaba em tango. Isso é coisa pra boi, boiada e boiadeiro dormir.
Eu? Eu agora sou é cangaceira!!!
Fort/07/10/2010
Erico Bivá

“O homem não morre
Fica encantado”
Quanto mais um homem
Como Bivá
Homem de muitas azas
Voa Bivá
Voa
Outra vez voa
Em vassouras literárias
Em tapetes mágicos
Encontrados nos bastidores dos teatros
Em lâmpadas do gênio
De Aladim
De” querubins do chico"
De” bandolim”
De “clarim”
Não sei se
De” Quixeramubim"
Mas muito” chinfrim”
Como chinfrim ficaram todos os palcos
Agora desencantados
Com teu encanto
Apagados com Tua luz solitária
De cortinas e portas fechadas
Para dar inicio a mais um espetáculo
De sua autoria
A platéia silencia
Atenta
Atônita
Curiosa para ver o que há por trás das cortinas
Silencio
Acomode-se prezado público
O espetáculo é longo
O monólogo é do poeta
É do homem que deixou
De fazer arte Para
Ser arte
e
Ser alado
sábado, 24 de julho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
as muitas peles da dança
Eu e Marcio
Damo-nos tão bem
Em companhia da dança
Sem nos passos pensar
Simplesmente dançamos
Como um acorde
Um acordo
Um acerto íntimo
Como quem
Foram escolhidos pela dança
Dançamos o propósito da vida
A canção da alegria
A lealdade dos movimentos
A integridade da melodia
E as muitas peles da dança
Dançamos a experiência do belo
O sacramento da entrega
A bem aventurança do encontro
A liturgia da sagrada dança dos deuses
Sem raça
Sem conceito
Ou preconceito
Dançamos apenas o amor à beleza
Que as artes exaltam
E com elas nos embriagamos
Tornando-nos cada vez mais leves.
A leveza é coisa da criação!
E quem é possuído por ela entra em êxtase
E tudo se cala
Emudece
Para ver e ouvir a dança passar
Como a
mais longa
Mais linda
Mais lúcida
ORAÇAO
Mariah/maio/2010
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
ESTRELA DANÇANTE

Devia amanhecer por dentro
E to fora
Há chuva de sol lá fora
E neve aqui dentro
Da janela vejo um cenário
De belas paisagens
Encobrindo-se de gelo
Prescinto que vou anoitecer sem canções
Agarrando-me aos seios da noite
Para uma dança em preto e branco
Tenho caus e frenesi
Pronta pra dá a luz uma estrela dançante
Estou em cólicas
Tudo dilata
E meu peito rasga
Um grito de silencio
E É aqui
Bem aqui nesse ponto
Que entro em comunhão com minha
Estrela dançante
Dançando... Dançando...
Aqui
Bem aqui nesse ponto
Ela foge mais
Pra sua dança
E me deixa outra vez
Em frenesi
Em fim
Dançando
sem fim.
fortaleza 18/03/08
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Michael Jackson . A voz nacarada

Na cor da pele não está o amor
A cor do amor não está na pele
Na pele do rei está o amor
Está a voz branca
O escuro olhar
Os pés decididos
Ritmados
E os passos sempre no compasso
No tempo do contra-tempo
Obedientes à sua maestrina voz
Agora sem Dó
E sem RÉ
Apenas com o MI
Acenando ao FA, SO, LA,SI
A se calar
Enquanto o amor agora incolor
Silencia...
E amortece essa queda sem pára-quedas
Sem aviso prévio
Atendendo ao chamado do chefe
para um entende
Para um entretendment
Um divertsment dançante
Com o único rei que nasceu preto
E morreu branco
Porque do pai não queria nem a cor
Nem o cabelo
Um rei que "nasceu rico"
Como tudo que nasce
E "morreu pobre"
Como tudo que morre
Um rei sem palácio
Morava em palcos
Sem coroas de ouro
Mas de espinho
Como um judeu
So porque sentia-se Deus
O chapéu prêto
Escondia seu negro olhar
Luvas brancas
disfarçando as dores da infância
A voz nacarada
Nao queria calar
E em cada passo
Um rastro da sua dinvindade dançante.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
castelo todos sao de areia

Os castelos me deixam espaçosa. Já visitei um e não entendi porque saí tão silenciosa e respirando pequeno. São tantos corredores. Tantos jardins. Salões e mais salões sempre vazios. Mesa de refeições de um kilômetro e meio tão cheia de louças que a comida devia ser apenas um detalhe. Lembrei que os nobres de sangue azul devem comer pouco. Vai ver seu sangue de tão especial já aprendeu absorver energia solar. É nesta parte do palácio que mais me calo, digo, me engasgo e mais que de pressa saio disfarçando um enjoou na barriga inexplicável. Acho que senti muita fome naquele momento! E a visita continua hora subindo escadarias, hora de trenzinho e essa excursão só permitia conhecer a primeira parte do castelo. Pra ver a segunda tinha que voltar no outro dia e depois no outro para a terceira parte, assim como também pagar todas elas. Os quartos... As camas... As colchas e almofadas... Deu vontade de me jogar em cima e ficar pulando como numa cama elástica! Mas era só pra vê-las desarrumadas bagunçadas e sujas, pois tenho a impressão que as crianças que ali viveram eram tristes e solitárias. Também eu tive uma infância silenciosa e incolor porque não tive com quem compartilhar as horas que estavam ali pra ser vividas e danei-me a pensar nas meninas e meninos lindos, vestidos de príncipes o dia todo.
Refugiei-me nas obras de arte pra aliviar meu espírito, ora cansado, ora rebelde ou talvez despeitado??? Essa raiva não é inveja???
Tem mais obra de arte do que parede!!! Alias tudo o é. As escadas. O escorrimão. As portas folhadas a ouro. As mobílias barrocas. Os mosaicos franceses. Os tetos angelicais. As pilastras gregas. O telhado. Os jardins e seus chafarizes, caramanchões. As piscinas e piscinas que guardei em minhas memórias para quando o planeta secar. Impresiona-me também que o rei e a rainha sempre têm dificuldades de ter filhos! Quando muito dois ou três já notaram? Então pra povoar os castelos tem criar mesmo é muitos criados. Pagéns. Serviçais ou escravos???
Não pude deixar de lembrar de gente pobre no seu barraco cheio de menino comendo barro de tanta anemia, nus, se arrastando no chão de barro batido!
Um estava ali em minhas imaginações vestido de PRINCIPE. O outro em minhas certezas vestidos de NADA e morrendo da doença chamada FOME.
Um vive na Alemanha. O outro na Etiópia, mas ambos são TERRAQUEOS! Ambos sonham. E seus sonhos são ambos de areia.

fortaleza/ 05/2009
domingo, 10 de maio de 2009
Quando

Quando escuto música
É quando viajo
Quando danço
É quando me acho
Quando escrevo
É quando rezo
E brinco de ser
Viviane Mosé
Quando leio
É do amor que me aposso
É de tesão que me tomo e
Que ilumina até minha sombra
EscrevendoTenho refúgio
Tenho álibe
E um hábito
Nem tão antigo
Nem tão certo
Nem tão sábio
Mas sempre sóbrio
Sempre eu
Sempre, sempre
Fortaleza/2005
sábado, 2 de maio de 2009
Ervas daninhas

Quando estou só
É só quando
Me sinto
Me vejo
E proponho algo que
Me ajude
A ser
A merecer
E crescer
Quando sinto medo
Fico escondida de mim
Distancio-me
E perco-me no labirinto
Tenho vivido entre
Verdes prados
E ervas daninhas
Entre eu e a saudade de mim
Mas a saudade
Já não é mais a mesma
Muito menos as ervas daninhas
Só o verde prado
Da relva verdejante
Onde minh’alma repousa
Inebriada
Entorpecida
Ébria
De tanto caminhar
Quando a noite é fria
Releio meus escritos
Consulto os sábios
Procuro um amigo
E não o encontro com esse meu jeito
Solitário de ser
Na noite escura aproveito
Para me tomar de silêncio
Banhar-me de lama
Fazer uma poesia
E procurar um jeito novo
De ver
De fazer
De dizer
De colher
E então NASCER desse
Barulhento silêncio
Banhada pelas águas
profundas
Do SER
NO CAIS

Entre o que fomos e o que agora estamos nos tornando, há um livro e dentro dele historias de Historia e de historias. Entre tantos contos o que mais fala de saudade é quando o hospede vai embora deixando uma vaga na hospedaria. Milhares se vão todo dia e quando o hospede é um dos meus, velo-me também. Velo os pensamentos. As crenças e encontro todo tipo de ilusões. Velo também o meu corpo, hora tão maravilhoso frente àquele ali já inerte. Serve-me pra lembrar os obrigados não pronunciados. Velo o meu bolso. O dele está mais vazio. Velo outra vez os pensamentos e encontro outros bolsos cheios de méritos. Os próprios méritos que só aparecem nessas horas! E que se diga rapidamente não servem mais pra quase nada a não ser pra alimentar as culpas ou pra velar os caminhos da hospedaria às vezes sob penumbras. Sempre guardamos essas moedas num cofrinho que será nosso passaporte ao país longínquo. E enquanto penso nos pensamentos que estão passando olho às velas em fase terminal e me dou conta do que disse Ruben Alves: “A cera que resta é muito menos que a cera que já se queimou”. E aí meus pensamentos me mostraram quanta cera ainda me resta nessa viagem que tem dois cais. Um é o da partida e o outro o da chegada. Vamos nos concentrar no cais do porto da chegada e comemorar o nascimento espiritual de um dos representantes da hospedaria. Fica uma dor de parto dentro de nós, ainda mais quando nos conscientizamos que estamos a caminho do cais da partida. Mas há festa no cais da chegada onde nossos antepassados cantão as boas vindas enquanto no outro porto, dançamos a valsa da despedida no compasso, no ritmo e com postura de um bom dançarino que confia no grande coreógrafo
O impressionante é que os cais estão sempre lotados à noite. Será que é porque desejamos acorrentar o tempo que anseia em despertar e mostrar suas decisões? Parece que os mortos com seus mistérios não se dão com a claridade e as horas desoladas dos velórios se penduram nas ombreiras da fé onde também se encontram os vampiros da culpa sugando as horas penduradas.
Quando eu deixar a hospedaria, gostaria de viajar nua como quando cheguei ao cais de cá. Apenas banhada pelas águas que me esforcei pra economizar... Pela brisa que um dia armazenei da serra da Meruoca no Ceara e pelo sol que tomo todas as manhas enquanto agou minhas plantas, mas como não posso, já separei minha segunda vestimenta pra encobrir no corpo o que não tem mais sentido e descobrir o sentido do que tem alem desse efêmero corpo. Gostaria também de receber o aviso prévio pra fazer as malas com mais sois, mais luares, incenso de hunos, gotas de orvalho, pingos de chuva e
arcos-iris...assim irei sem medo e sem solidão, deixando apenas um bilhetinho: cuidem das minhas plantas, da minha cachorrinha. Já o meu filho, este precisa é se cuidar.
Deixarei para ele um testamento de palavras faladas em nossas conversas e palavras escritas que não servem como futuro garantido, mas como instrumento pra que meus descendentes conheçam meus pensamentos. O que mais tenho para eles? Será pouco?
Hoje, em enquanto meu irmão Edilberto Pontes, chega ao cais pra iniciar uma nova aventura sempre em busca da felicidade prometida, me apego e vagueio por estes pensamentos e a esta literatura ( ela que foi sua companheira) como o melhor recurso para de lenço branco na mão acenar em sua direção com um sorriso abençoador e um ate breve no cais.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

| | Não sou máquina de produzir poesia, ou computador de pensar... E nem meus versos são pílulas para qualquer dor, ou remédio para feridas de amor. Mas são versos que falam com autenticidade das vivências do meu sentir poético, ou não... Vivido no cotidiano da minha, e das vidas que tocam minha alma. Não sou perfeita, e nem entendo dos vestidos com que os poetas cobrem os corpos de suas poesias. Não gosto dessa forma quadrada e dura com que os versos rimados andam, nem da falta de gingado e molejo, na dança com as palavras. Minha poesia tem saias rodantes, veste chapéu de palha, trançada pela minha própria mão... Faço-a com rendas, fitas e laços, e costuro-lhe lantejoulas coloridas, - douradas à luz do meu sol -, com contas de pérolas que eu mesma dori. Meus versos me causam surpresa, por desconhecê-los antes de sair de mim, e depois, não reconhecê-los, como se de mim não tivessem saído. É como fossem do "poeta da antiguidade", cozidos no lirismo de sua ânsia febril, no pensar poético de suas entranhas. Por isso, não tenho tempo para ater-me a métricas e sintaxes, e outras "étricas" e "axes"... E lá sei eu o que é isso, ou entendo de coisas assim? As asas do moinho dos meus versos, batem soltas, mesclando a prosa com a poesia, não se amarrando em postes e endereços, nem aderindo à movimentos que não entendo e não conheço. As palavras que nascem de mim, - mesmo maturadas no caldo do século 21 -, são fruto temporão, tardio, chegadas aos dois anos de vinte, quando a vida já ia partindo, fazendo um tempo fora de época... E guardam ainda, o sabor caramanchão das roseiras que galgavam pelas pilastras e ombreiras das portas, para depois caírem em apaixonantes serenatas, do sobrado de um velho casarão.... Maria...( blumenau ) |
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
café
Literatura
E poeta
Formam uma trilogia perfeita
Seja na companhia
De uma madrugada silenciosa
E plena de canções
Seja no aconchego de uma
Agradável conversa
O poeta
Só quer uma desculpa
Para tomar outro cafezinho
E este
Só quer mais uma poesia
Para em uma linda xícara
Beijar a boca do poeta
Que seduzido
Vai deixando nascer
Livre e sabiamente
Mais uma criação literária
Para o seu bel prazer
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
ha uma criança aqui

Quem me ver assim dançando
Não sabe nada de mim
Quem dança é a menina sapeca
O anjo bom
A criança risonha
Enquanto danço
Você fica com o melhor de mim
Com a minha parte sarada
Você fica em mim
De rostinho colado
Pertinho da bailarina
Que nunca cansa
Nunca acorda
Nunca quer ser gente grande
A criança em mim
Dança sob minhas memórias
Desliza sob minhas auroras
Patina sob o gelo do passado
Pra nunca acordar
E morrer sempre assim
Cheia de uma terna
Criancice
terça-feira, 30 de setembro de 2008
QUATRO PEGADAS




Cara,hoje fiquei relembrando nossas caminhadas e revi as estradas onde deixamos nossas pegadas. As minhas são sempre do mesmo tamanho, enquanto as suas... Como mudaram... Revendo as primeiras, o maior sentimento foi a saudade! Passando a vista encontrei as que deixamos na estrada da “Casinha Feliz” em Brasília,e aí lembrei dos conselhos da tia Lucia: “ ele vai ser um matemático! Diga aí, futuro engenheiro, se ela tinha razão ? As que deixamos na calçada e entrada do colégio nossa Senhora das Graças, são muito fortes. Fundas. Impossível apaga-las. Talvez pelo medo do desconhecido, pela ansiedade de ver os novos amigos e a timidez em falar com os mestres... essa trilha foi muito iluminada, cheia de esportes radical, no entanto sem muita adrenalina e repleta de alegria. Certo? Alegro-me de ver minhas pegadas juntinhas das suas ainda por mais algumas estradas. E aos onze anos encontrei as suas primeiras sozinhas. Era em direção a escola de tênis de mesa bem longe de casa, na cidade dos funcionários. Confesso que hoje estou mais sensível e com medo do que naquele dia. A partir desse ponto as minhas marcas são cada vez mais raras. Foi então que comecei a trocar os pés pelos olhos. Olhos de coruja. Precisava enxergar longe e também às escuras!!! É muita pretensão dessa mãe aqui!!! Agora compreendo mais alem: que preciso trocar os olhos pelo coração para permitir que o meu amor o torne livre . Livre até de mim. Porque alguém maior que eu o tem na palma de sua mão.
É muito bom e muito fácil ser mãe do HIGOR PONTES e fazer junto com ele essa viagem amorosa, inesquecível e pra eternidade. Com ele tornei-me uma pessoa... Mais pessoa!
Mariah, sua mamy.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
primavera vestida de chita
E todas as manhãs é primavera
Não sei se minhas flores
Conhecem esse nome
Mas ainda que não saibam
Todo dias às nove horas se abrem
Pra elas todo dia é dia dá flores
Como eu que todo dia quero
Apenas ser mãe sem saber
Ser primavera
Ainda que elas não saibam
Que não queiram
Um dia acordam com
A voz silenciosa de suas raízes
Enviando mais cores
Mais perfumes
Mais boniteza
À aquelas que por natureza
Tem um espírito florido
Nascido da mãe terra
No nordeste é primavera
Até no inverno
Por isso os homens
Nem a percebe
E as borboletas se esforçam
Pra mostrar
Exibindo suas cores
E sua dança que ninguém
Quer olhar
Mas os poetas do nordeste
Vêem a chegada de sua majestade
Vestindo margaridas
Coroada de Artemísias
Trazendo nos braços um buquê
Com cheiro maternal de Deusa
A primavera do nordeste é feita
De flores do agreste que se veste
De chita bem colorida
E pouco efêmera
Ate os cactos se enchem de
Coroas vermelhas e amarelas
Com fidelidade ao silencio
Das sementes.
E tudo pra reinar
E nos encantar
Por alguns dias apenas.
Mariahterrasol/ 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
coraçao de feijao
segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Se eu fosse um livro
Queria ter pernas pra quem me quer
Podia ser sem titulo
Sem índice
E orelhas só as do leitor
Prefácio eu não sentiria falta
As folhas poderiam ser de folhas
Pra poupar a celulose
Assim teria um cheiro de
Folha de laranjeira
Eucalipto
Hortelã e manjericão
A tinta nem precisava ser da china
Bastava ser urucum
A capa
Essa sim...
Teria que ter com cheiro de humos
Se eu fosse um livro
Queria ter um rabinho
Pra fazer a maior festa
Com o meu poeta
Fugiria dos tédios das estantes
Do aperto das bolsas
Do mofo das gavetas
E do silencio dos criados mudo
Feitos pra testemunhar
O que se passa na cama
Sem nunca poder contar
Se eu fosse um livro
Sairia correndo
Pra uma biblioteca
Não queria ser gordo
Podia até ser anoréxico
Mas vitaminado
Achocolatado
Afrodisíaco
Pra cair na gandaia
Com meu leitor
Até tarde da noite
Num fôlego de tirar um gozo
E um choro de tanto amor
segunda-feira, 8 de setembro de 2008

E TOME PICA
Começou a putaria
Pense!
Eles falam... Falam...
A gente nem escuta
Por fim eles gritam... Gritam...
A gente então para e escuta
É fisgado por um
Ou não é por nenhum
Me engana que eu gosto
No jogo da conquista
O macho canta bonito
Exibe suas penas coloridas
E balança o rabinho
Desentendida...
Mas sabe que precisa escolher
Escolher...
Aí é que o rabo troce!!!
A fêmea olha... Pensa...
Pensa... E olha desconfiada
Não acha graça no que vê
Mas terá que escolher!
O macho canta mais alto
Incha o papo
E pica a fêmea
Aí pronto...
E tome pica
Tome pé na bunda
Até um dia
Tomar vergonha
quarta-feira, 3 de setembro de 2008


De braços cruzados
Ninguém ama
Serviu-me esta frase de inspiração
Não pra fazer poesia
Mas pra andar com as mãos
Sair por aí plantando bananeira
Plantando o verbo caminhar
Pra tornar a vida mais lógica
Pra tomar a vida de volta
Pra forçar a vida em revolta
De braços cruzados
Ninguém ama
Insisto no refrão alheio
Ninguém entende a que veio
Ninguém entende o que deseja
Ninguém atende o planeta
De braços cruzados
A voz é escura
A escuta é súdita
O olhar é curto
De braços cruzados
Nunca vou amar
E nem posso terminar
Esta denúncia escrita
Para meu Ego
Dizendo o mesmo que ouvi
E não sei nem de quem...
Mas que descruzou meus braços
Pra escrever suas ultimas palavras:
De braços cruzados ninguém
Dá um abraço
E nem um Adeus.


