sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A DANÇA DO LIXO



AOS JANGURUCUENCES

Ao encontro de uma luz
Que angelicamente desce no palco
No sentimento da platéia curiosa e atenta
E que maravilhosamente desvenda os olhos de quantos Queiram ver do que a dança é capaz
Ficamos todos calados

Dançarei o resto dos meus dias em reverencias mil
A dança do lixo
Do luxo
Dos sonhos de Dora Andrade
Dora do Brasil
Das crianças abandonadas
Dora que dança simplesmente na memória da gente
Dora que viu
Que fez
Que ama e dança esse amor
Em rapisódias intermináveis
Dançai
Dançai antes que as luzes se apaguem
Antes que a morte caia nos braços angélicos
Atrás dessas cortinas subindo
Querendo dizer a Deus muitos amém.

Mariahterrasol/95

DÉBORAH COLKER







DÉBORAH COLKER

DE OLHOS ARREGALADOS
COMO UMA CORUJA
QUE NUNCA VIU A DANÇA DA DÉBORAH
DÉBORAH QUE A GENTE
VER VELOZ
DÉBORAH VÉLOX
DÉBORAH QUE A GENTE
VER CORRENDO
DÉBORAH COLKER
ASSISTI SUA AULA

VIRTUDES DANÇANTES
PRÓPRIAS DE DÉBORA
COMO QUEM VIU ISADORA ( A DUCAN)
COMO QUEM VIVEU COM A MARTA ( A GRAM)
COM QUEM ESTEVE ENTRE AS FERAS
E VIU A INTIMIDADE DANÇANTE DE CADA UMA
VULCANICAMENTE
VELOXMENTE
FEITO SÓ PARA DÉBORAH


Mariahterrasol97

quinta-feira, 8 de novembro de 2007





PÂNTANO

O AMOR É NATURAL
NATURALMENTE NADA
QUE SE POSSA PEGAR

NASCENTE ENCONTRADA
MATA A DENTRO
EM PLENO CERRADO

O AMOR VIAJA BANHANDO
OUTROS LEITOS
QUE DE TAO ÁRIDOS
ESCORRE LENTAMENTE

MAS SEMPRE SE VAI
SE ESVAI

QUANDO VAI
ENCHARCA O MUNDO

QUANDO ESVAI
SE EVAPORA

E COMO NÚVEM
CAI EM OITROS LEITOS
MAIS ÁRIDOS AINDA

QUANDO PARA
CRIA LODO
E É PANTANO
MAS
AINDA ASSIM
FLORESCE

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

ERVAS DANINHAS




ERVAS DANINHAS


Quando sinto saudade
De mim

Logo fico só
E nessa solidão
Me acho
me encontro
E tomo conta de mim

Quando estou só

É só quando
Me sinto
Me vejo
E proponho algo que
Me ajude
A ser


A merecer
E crescer

Quando sinto medo

Fico escondida de mim
Distancio-me
E perco-me no labirinto


Tenho vivido entre
verdes prados
E ervas daninhas
Entre eu e a saudade de mim
Mas a saudade
Já não é mais a mesma
Muito menos as ervas daninhas

Só o verde prado
Da relva verdejante
Onde minh’alma repousa
Inebriada
Entorpecida
Ébria
De tanto caminhar

Quando a noite é fria

Releio meus escritos
Consulto os sábios
Procuro um amigo
E não o encontro com esse meu jeito
Desapegado de ser

Na noite escura aproveito
Para me tomar de silêncio
Banhar-me de lama
Fazer uma poesia
E procurar um jeito novo
De ver
De fazer
De dizer
De colher
E então NASCER desse
Barulhento silêncio
Banhada pelas água
Profundas do SER

terça-feira, 14 de agosto de 2007




Opus nº.1 para poesia

Como uma chuva de sol
Passeando sobre as calçadas
Dançam sobre minhas memórias
Bailarinas com saltos e pernas ao vento
Dançai
Dançai bailarinas
Dançai alegres como vossos mestres
Acendendo todas as luzes
Dançai porque a noite está breve
E nunca se sabe o que existe dentro dela
Assim se a manhã nos transformássemos
Em cisnes verdadeiros
Estaríamos mais perto da morte
Correndo para o espetáculo luminoso
Que sempre termina entre lagrimas
Entre penas caídas no palco
E no soluço escondido entre os destroços
Dos objetos que se guardam nos bastidores
Dançai
Dançai porque muitos espetáculos são breves
A poesia é um deles
Morre assim que se precipia
Silencio bailarina
Só dançai movimentos rápidos e breves
Para que o meu pensamento
Entre vossos tulhes suaves e leves
Se escreva em paz
Já que o tema não termina
Já que a noite não me anima
Já que a morte não me vinha
Já que as luzes não se apagam
Já que a vida ainda é menina
E os teatros não se fecham

Irei repetindo sempre essa angustia
Em forma de saudade
De futuro
Confuso como todo futuro
E Pleno de esperanças
Mas de braços amputados
Como os olhos e os pés de cada um
Menino artista


Mariahterrasol

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

EU SOU DOS ANOS 60



Eu sou dos anos 60
Dos anos 60 de 1900
Os mais dourados do milênio
A jovem guarda que mudou
O rumo da História do planeta
E mudou porque era as cabeças
Mais impulsivas
cabeludas
E mais decididas
Os jovens mais intuídos
Talvez!
O fim da ditadura
E de Jonh Kenedy
O milésimo gol do Pelé
E a primeira pegada na lua
A explosão musical dos
Quatros cabeludos de Liverpool
E dos Keme-Kazes do Brasil
Lá no Ceará
Os hipes eram chamados de fedorentos
Mas não pichavam os monumentos
Nem seus pulmões de craque
A revolução das mulheres peitudas
E sem sutiens
Fumando
E escondendo a pílula do amor
Que libertou seu sexo
Motivadas pela corajosa Brigitte Bardot

Eu sou dos anos 60

Dos penteados com laquê
Do biquíni de bolinha amarelinha
DA Celi Campelo
Renato e seus Blue Caps
Holistones...
Ainda hoje essas Histórias
Estão sendo contadas
Escritas
E assinadas por todos os cinqüentanos
Que continuam sendo chamados
De jovem guarda!
Mora...
Do rei Roberto Carlos

Eu sou dos anos 60

A chegada da mine saia
Da calça Jeans
E do vestido tubinho
Uma jovem dos anos rebeldes
Que soltou os cabelos
Vestiu-se de homem
E de cigarro nos dedos
Brigava
Sem saber por quê
Pra que
E não queria nem saber com quem
Mas Brigava...
Brigava para não ser diferente
Anormal
Embora parecesse mais uma
Criança especial
Higor é dos anos 90
Perto dos anos 2000
Eu
Apressada caminhando contra o tem Esforçando-me para lá chegar
Ele com o tempo a seu favor
Numa marcha lenta
Como quem tudo domina
Inclusive o próprio tempo...
Eu
Cheias de Histórias para contar...
Ele impaciente ainda sem querer escutar
Sem saber que a sua já esta no ar
Criança esperta
Feita com a tecnologia dos anos 90
Computadorizado
Mas não pense você
Que é de proveta
Parece
É quase
É como se fosse
Mas não é
Eu e Higor
Estamos crescendo
Crescendo sem parar
Até um de nós
Explodir de AR
De tanto AMOR
De tantos Amém

terça-feira, 10 de julho de 2007

UM PASSO A MAIS


Eu sonho com a paz
Mas este sonho
É o sonho da humanidade

Eu sonho com a igualdade social
Mas este sonho
É o sonho de todo político em campanha.

Eu sonho com a justiça para todos,
Mas este sonho
É utopia brasileira

Eu sonho com o alimento
Na mesa de todo cidadão
Mas este sonho
È o sonho do Lula

Eu sonho com a educação do povo
E do povo da minha Rua 24 de Maio,
Mas este sonho precisa de campanha.

Eu sonho com a segurança
Mas a violência é filha da desigualdade
E da luta pelo poder.

Eu sonho passear na praça do bairro onde nasci
Com meu pai
Meu filho e minha cadelinha.
Sem medo
sem nojo
E sem vergonha
De morar no centro da minha cidade.
Sonhos como estes
Não se “sonha só
Se sonha juntos”
Mas eu também sonho comigo
Sonho autografando livros de minha autoria.
Sonho dançando. . .
Mas não dançando literalmente
Como estou dançando agora.
Este sonho eu posso sonhar
Com meu irmão
Que me disse isto por que sou bailarina:
"Dançar eis aí uma virtude da vida
Quem dança, mesmo triste por dentro
Sorrir para a humanidade
Acompanha os passos da vida
Conversa com a eternidade
Dá enlevo a própria vida
Toca levemente o sentir
Desperta o sentimento dito do amor
Vasculha os desejos do corpo
Liberta o íntimo
Como se fosse o grito primata
Dançar. . .
Porque é nos movimentos que está a vida

Dançar. . .
Porque é na coreografia do corpo
Que fala o íntimo da mente.
É dançando que se sublima o sonho
A fantasia da realidade
Dançar é conversar consigo mesmo
Fazer das amarguras
Dores e decepções
Uma pirueta
Um passo a mais
Uma esperança a mais
Dançar é qualquer coisa mais que isto
Muito mais que isto.
Muito mais. . .”

Meus sonhos. . .
Eu sempre sonho só
Mas hoje os revelei a você
Que os lê
E agora eles deixam de ser
Simplesmente sonhos sublimados
Pela minha dança
Para ser mais que isto. . .
Muito mais.
Uma verdade talvez.
Mariahterrasol/2001

domingo, 8 de julho de 2007



Cicatrizes

OLHEI NO ESPELHO
PROCURANDO UM SINAL DE BELEZA
BELEZA DE CARA BOA
MAS QUE NADA
NEM CARA
NEM COROA
ENCONTREI FOI ESPINHAS
E ESPINHOS A CICATRIZAR

SE FECHO OS OLHOS
UM ESPELHO VELHO
E QUEBRADO
ME MOSTRA O QUE HÁ
NO ESCURO DAS VERDADES
QUE MEU EGO INSISTE ESCONDER

DESÇO MAIS FUNDO
E NO PORÃO ESCURO
ENCONTRO TEIAS CIRZINDO
E JUNTANDO AS CICATRIZES
JOGADAS PRA LÁ
PRA NUNCA MAIS SEREM
ENCONTRADAS

HOJE ALGUEM
CHEGA E ME OBRIGA
DESCER ESSAS ESCADAS ESCURAS
COMPRIDAS
EMPUEIRADAS
COM CHEIRO DE MENTIRAS E VERDADES
ENTULHADAS
ARMAZENADAS
MERGULHADAS
EM LÍQUIDO UM AVERMELHADO
PURGANDO E CICARTIZANDO
CICATRIZANDO E CURANDO
CURANDO ATÉ A MORTE ACABAR
DE
CICATRIZAR

Mariah terrasol

sábado, 23 de junho de 2007


VESTIDO DE BRECHÓ


De saia farta
De cor parda
Sou um vestido de brechó
Sem dona e sem amante
Sinto-me tão só


No meio de tantos vestidos
Novos e formosos
Quem vai querer me adotar?
Posso até atrair um olhar
Que saiba me valorizar


Hoje vivo sem casa
E sem dona
Feito cão abandonado
Caindo da ombreira
Querendo que alguém me veja
Antes que a carrocinha me aceite


Quero uma linda dona encontrar
Para na sua pele escorregar
E em seus braços apertar
Alguém que queira me tirar
Desse corpo quente
Que vou ornamentar


Minha antiga dona
Que era uma formosura
Gostava de me exibir
Em minha plena juventude
Enjoada foi ficando
De me ver ali no canto
Sem querer me usar
Nas festas de fim de ano


Por encanto de repente
Por alguém fui adotada
E de sapatos novos
Saímos por aí
Contra o vento
Que levanta minha saia
Pra mostrar
As lindas pernas
De minha sinhazinha















Assim sou eu...

Quando escrevo vou
desenhando quem sou
vou me despindo.
E nessa nudez vou
Mostrando
cada paisagem interior.
E aí vou dizendo
Vou aprendendo
com as letras escondidas
em poços que
de tão profundo parecia
não existir nada.
Foi então que apresentei-me
a mim e só
por isso posso agora
apresentar-me a você
que deseja saber quem sou.
Vem comigo nessa viagem
por terras antigas e ou
te revelo meus segredos
encontrados em gargantas
cheias de sonhos esquecidos.
Nos meus cinqüentanos
dei meia-volta-volver
e cai na capital cearense que
me viu nascer bem
nos braços de São José.
Era um lindo por do sol
E enquanto admiro o
arco-íris percebo que
também estou entardecendo.
E meu crepúsculo
Já distante de minha
Mocidade
Clareia meus cabelos
Embaça a luz
Dos meus olhos
Enquanto encandeia
Meu espírito com a
Chegada da aurora.
Entardecendo
Vou despetalando
Porque a vida
Não está na flor
Fui uma semente cravada
No útero
Hoje sou o útero
Grávido do mundo
Contemplo meu entardecer
A brisa revela
Meus enganos
Meus erros que entorpeceram
Meus idos dias juvenis
Contemplo uma a uma
Todas as minhas rugas
Que generosamente
Chegam sem alarde
Sem dor e
Sem pena.
Contemplo as mãos
Que escrevem isto
Para deixar que
alguém as conheça.
Contemplo meus pés
Que mais parecem asas
E meus tornozelos
De raça.
Contemplo tudo
Até não ter nada
E apenas dar muitas
Graças enquanto a
Noite não cai
A luz não se apague
E o anjo não feche
A cortina.