terça-feira, 30 de setembro de 2008

QUATRO PEGADAS






Cara,hoje fiquei relembrando nossas caminhadas e revi as estradas onde deixamos nossas pegadas. As minhas são sempre do mesmo tamanho, enquanto as suas... Como mudaram... Revendo as primeiras, o maior sentimento foi a saudade! Passando a vista encontrei as que deixamos na estrada da “Casinha Feliz” em Brasília,e aí lembrei dos conselhos da tia Lucia: “ ele vai ser um matemático! Diga aí, futuro engenheiro, se ela tinha razão ? As que deixamos na calçada e entrada do colégio nossa Senhora das Graças, são muito fortes. Fundas. Impossível apaga-las. Talvez pelo medo do desconhecido, pela ansiedade de ver os novos amigos e a timidez em falar com os mestres... essa trilha foi muito iluminada, cheia de esportes radical, no entanto sem muita adrenalina e repleta de alegria. Certo? Alegro-me de ver minhas pegadas juntinhas das suas ainda por mais algumas estradas. E aos onze anos encontrei as suas primeiras sozinhas. Era em direção a escola de tênis de mesa bem longe de casa, na cidade dos funcionários. Confesso que hoje estou mais sensível e com medo do que naquele dia. A partir desse ponto as minhas marcas são cada vez mais raras. Foi então que comecei a trocar os pés pelos olhos. Olhos de coruja. Precisava enxergar longe e também às escuras!!! É muita pretensão dessa mãe aqui!!! Agora compreendo mais alem: que preciso trocar os olhos pelo coração para permitir que o meu amor o torne livre . Livre até de mim. Porque alguém maior que eu o tem na palma de sua mão.
É muito bom e muito fácil ser mãe do HIGOR PONTES e fazer junto com ele essa viagem amorosa, inesquecível e pra eternidade. Com ele tornei-me uma pessoa... Mais pessoa!

Mariah, sua mamy.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

primavera vestida de chita


Eu tenho um jardim.

E todas as manhãs é primavera

Não sei se minhas flores

Conhecem esse nome

Mas ainda que não saibam

Todo dias às nove horas se abrem

Pra elas todo dia é dia dá flores

Como eu que todo dia quero

Apenas ser mãe sem saber

Ser primavera

Ainda que elas não saibam

Que não queiram

Um dia acordam com

A voz silenciosa de suas raízes

Enviando mais cores

Mais perfumes

Mais boniteza

À aquelas que por natureza

Tem um espírito florido

Nascido da mãe terra

No nordeste é primavera

Até no inverno

Por isso os homens

Nem a percebe

E as borboletas se esforçam

Pra mostrar

Exibindo suas cores

E sua dança que ninguém

Quer olhar

Mas os poetas do nordeste

Vêem a chegada de sua majestade

Vestindo margaridas

Coroada de Artemísias

Trazendo nos braços um buquê

Com cheiro maternal de Deusa

A primavera do nordeste é feita

De flores do agreste que se veste

De chita bem colorida

E pouco efêmera

Ate os cactos se enchem de

Coroas vermelhas e amarelas

Com fidelidade ao silencio

Das sementes.

E tudo pra reinar

E nos encantar

Por alguns dias apenas.

Mariahterrasol/ 2008

domingo, 21 de setembro de 2008

coraçao de feijao



meu coração

É doido

É danado

É duro na queda

Agüenta o tranco

O ronco

E não rasga o peito

Mas às vezes rasga o verbo

Hoje deu provas

Que sabe bater no compasso

Num rítimo perfeito

De quem foi feito

Com muito feijão

segunda-feira, 15 de setembro de 2008


Se eu fosse um livro

Queria ter pernas pra quem me quer

Podia ser sem titulo

Sem índice

E orelhas só as do leitor

Prefácio eu não sentiria falta

As folhas poderiam ser de folhas

Pra poupar a celulose

Assim teria um cheiro de

Folha de laranjeira

Eucalipto

Hortelã e manjericão

A tinta nem precisava ser da china

Bastava ser urucum

A capa

Essa sim...

Teria que ter com cheiro de humos

Se eu fosse um livro

Queria ter um rabinho

Pra fazer a maior festa

Com o meu poeta

Fugiria dos tédios das estantes

Do aperto das bolsas

Do mofo das gavetas

E do silencio dos criados mudo

Feitos pra testemunhar

O que se passa na cama

Sem nunca poder contar

Se eu fosse um livro

Sairia correndo

Pra uma biblioteca

Não queria ser gordo

Podia até ser anoréxico

Mas vitaminado

Achocolatado

Afrodisíaco

Pra cair na gandaia

Com meu leitor

Até tarde da noite

Num fôlego de tirar um gozo

E um choro de tanto amor

segunda-feira, 8 de setembro de 2008


E TOME PICA

Começou a putaria

Pense!

Eles falam... Falam...

A gente nem escuta

Por fim eles gritam... Gritam...

A gente então para e escuta

É fisgado por um

Ou não é por nenhum

Me engana que eu gosto

No jogo da conquista

O macho canta bonito

Exibe suas penas coloridas

E balança o rabinho

A fêmea se faz de difícil

Desentendida...

Mas sabe que precisa escolher

Escolher...

Aí é que o rabo troce!!!

A fêmea olha... Pensa...

Pensa... E olha desconfiada

Não acha graça no que vê

Mas terá que escolher!

O macho canta mais alto

Incha o papo

E pica a fêmea

Aí pronto...

E tome pica

Tome pé na bunda

Até um dia

Tomar vergonha


quarta-feira, 3 de setembro de 2008



De braços cruzados

Ninguém ama

Serviu-me esta frase de inspiração

Não pra fazer poesia

Mas pra andar com as mãos

Sair por aí plantando bananeira

Plantando o verbo caminhar

Pra tornar a vida mais lógica

Pra tomar a vida de volta

Pra forçar a vida em revolta

De braços cruzados

Ninguém ama

Insisto no refrão alheio

Ninguém entende a que veio

Ninguém entende o que deseja

Ninguém atende o planeta

De braços cruzados

A voz é escura

A escuta é súdita

O olhar é curto

De braços cruzados

Nunca vou amar

E nem posso terminar

Esta denúncia escrita

Para meu Ego

Dizendo o mesmo que ouvi

E não sei nem de quem...

Mas que descruzou meus braços

Pra escrever suas ultimas palavras:

De braços cruzados ninguém

Dá um abraço

E nem um Adeus.