
Dançar é compor trilhas no ar
Com as contas do cotidiano vivido
Dançar é unir contos de sol e lua
Que nos ensina dançar o mundo
É brincar de ser o que não se é
E o corpo sendo asa
É pássaro.
(Anália Timbó )
e vou a todos os cantos.
Literatura
E poeta
Formam uma trilogia perfeita
Seja na companhia
De uma madrugada silenciosa
E plena de canções
Seja no aconchego de uma
Agradável conversa
O poeta
Só quer uma desculpa
Para tomar outro cafezinho
E este
Só quer mais uma poesia
Para em uma linda xícara
Beijar a boca do poeta
Que seduzido
Vai deixando nascer
Livre e sabiamente
Mais uma criação literária
Para o seu bel prazer

Quem me ver assim dançando
Não sabe nada de mim
Quem dança é a menina sapeca
O anjo bom
A criança risonha
Enquanto danço
Você fica com o melhor de mim
Com a minha parte sarada
Você fica em mim
De rostinho colado
Pertinho da bailarina
Que nunca cansa
Nunca acorda
Nunca quer ser gente grande
A criança em mim
Dança sob minhas memórias
Desliza sob minhas auroras
Patina sob o gelo do passado
Pra nunca acordar
E morrer sempre assim
Cheia de uma terna
Criancice




Cara,hoje fiquei relembrando nossas caminhadas e revi as estradas onde deixamos nossas pegadas. As minhas são sempre do mesmo tamanho, enquanto as suas... Como mudaram... Revendo as primeiras, o maior sentimento foi a saudade! Passando a vista encontrei as que deixamos na estrada da “Casinha Feliz” em Brasília,e aí lembrei dos conselhos da tia Lucia: “ ele vai ser um matemático! Diga aí, futuro engenheiro, se ela tinha razão ? As que deixamos na calçada e entrada do colégio nossa Senhora das Graças, são muito fortes. Fundas. Impossível apaga-las. Talvez pelo medo do desconhecido, pela ansiedade de ver os novos amigos e a timidez em falar com os mestres... essa trilha foi muito iluminada, cheia de esportes radical, no entanto sem muita adrenalina e repleta de alegria. Certo? Alegro-me de ver minhas pegadas juntinhas das suas ainda por mais algumas estradas. E aos onze anos encontrei as suas primeiras sozinhas. Era em direção a escola de tênis de mesa bem longe de casa, na cidade dos funcionários. Confesso que hoje estou mais sensível e com medo do que naquele dia. A partir desse ponto as minhas marcas são cada vez mais raras. Foi então que comecei a trocar os pés pelos olhos. Olhos de coruja. Precisava enxergar longe e também às escuras!!! É muita pretensão dessa mãe aqui!!! Agora compreendo mais alem: que preciso trocar os olhos pelo coração para permitir que o meu amor o torne livre . Livre até de mim. Porque alguém maior que eu o tem na palma de sua mão.
É muito bom e muito fácil ser mãe do HIGOR PONTES e fazer junto com ele essa viagem amorosa, inesquecível e pra eternidade. Com ele tornei-me uma pessoa... Mais pessoa!
Mariah, sua mamy.
E todas as manhãs é primavera
Não sei se minhas flores
Conhecem esse nome
Mas ainda que não saibam
Todo dias às nove horas se abrem
Pra elas todo dia é dia dá flores
Como eu que todo dia quero
Apenas ser mãe sem saber
Ser primavera
Ainda que elas não saibam
Que não queiram
Um dia acordam com
A voz silenciosa de suas raízes
Enviando mais cores
Mais perfumes
Mais boniteza
À aquelas que por natureza
Tem um espírito florido
Nascido da mãe terra
No nordeste é primavera
Até no inverno
Por isso os homens
Nem a percebe
E as borboletas se esforçam
Pra mostrar
Exibindo suas cores
E sua dança que ninguém
Quer olhar
Mas os poetas do nordeste
Vêem a chegada de sua majestade
Vestindo margaridas
Coroada de Artemísias
Trazendo nos braços um buquê
Com cheiro maternal de Deusa
A primavera do nordeste é feita
De flores do agreste que se veste
De chita bem colorida
E pouco efêmera
Ate os cactos se enchem de
Coroas vermelhas e amarelas
Com fidelidade ao silencio
Das sementes.
E tudo pra reinar
E nos encantar
Por alguns dias apenas.
Mariahterrasol/ 2008

Se eu fosse um livro
Queria ter pernas pra quem me quer
Podia ser sem titulo
Sem índice
E orelhas só as do leitor
Prefácio eu não sentiria falta
As folhas poderiam ser de folhas
Pra poupar a celulose
Assim teria um cheiro de
Folha de laranjeira
Eucalipto
Hortelã e manjericão
A tinta nem precisava ser da china
Bastava ser urucum
A capa
Essa sim...
Teria que ter com cheiro de humos
Se eu fosse um livro
Queria ter um rabinho
Pra fazer a maior festa
Com o meu poeta
Fugiria dos tédios das estantes
Do aperto das bolsas
Do mofo das gavetas
E do silencio dos criados mudo
Feitos pra testemunhar
O que se passa na cama
Sem nunca poder contar
Se eu fosse um livro
Sairia correndo
Pra uma biblioteca
Não queria ser gordo
Podia até ser anoréxico
Mas vitaminado
Achocolatado
Afrodisíaco
Pra cair na gandaia
Com meu leitor
Até tarde da noite
Num fôlego de tirar um gozo
E um choro de tanto amor

E TOME PICA
Começou a putaria
Pense!
Eles falam... Falam...
A gente nem escuta
Por fim eles gritam... Gritam...
A gente então para e escuta
É fisgado por um
Ou não é por nenhum
Me engana que eu gosto
No jogo da conquista
O macho canta bonito
Exibe suas penas coloridas
E balança o rabinho
Desentendida...
Mas sabe que precisa escolher
Escolher...
Aí é que o rabo troce!!!
A fêmea olha... Pensa...
Pensa... E olha desconfiada
Não acha graça no que vê
Mas terá que escolher!
O macho canta mais alto
Incha o papo
E pica a fêmea
Aí pronto...
E tome pica
Tome pé na bunda
Até um dia
Tomar vergonha


De braços cruzados
Ninguém ama
Serviu-me esta frase de inspiração
Não pra fazer poesia
Mas pra andar com as mãos
Sair por aí plantando bananeira
Plantando o verbo caminhar
Pra tornar a vida mais lógica
Pra tomar a vida de volta
Pra forçar a vida em revolta
De braços cruzados
Ninguém ama
Insisto no refrão alheio
Ninguém entende a que veio
Ninguém entende o que deseja
Ninguém atende o planeta
De braços cruzados
A voz é escura
A escuta é súdita
O olhar é curto
De braços cruzados
Nunca vou amar
E nem posso terminar
Esta denúncia escrita
Para meu Ego
Dizendo o mesmo que ouvi
E não sei nem de quem...
Mas que descruzou meus braços
Pra escrever suas ultimas palavras:
De braços cruzados ninguém
Dá um abraço
E nem um Adeus.

Corujice de Coruja
No ninho havia cinco corujas
O homem foi lá
E destruiu a família
A mãe coruja estava fora
Trabalhando e provendo
O sustento
Mãe zelosa
Cheia de corujice
Mais do que qualquer mãe
É uma mãe coruja!
Coruja mãe!
Agora tão sozinha...
Seu vou ficou rasteiro
Tentando ver onde os homens
Esconderam seus filhos
Desaprendeu a voar alto
Procurando seus bebes
Entre aqueles bichos
Chamados de homens
Entre aqueles homens
Que não se pode nem dizer
Que parecem bichos...
24/08/2008 