sexta-feira, 29 de agosto de 2008

24/08/2008


A pira apagou

A china encantou minha alma. De tão longe de Pequin vi quase tudo que as lentes puderam mostrar e o meu tempo permitiu. Entrei em sena com os atletas e lutei com os brasileiros por cada medalha. Então também tive que chorar as vitórias, derrotas, vexames e até com as vitórias dos adversários. O vencedor é único e não tem nacionalidade. Seu nome é “Esporte.”
No meu tempo ser atleta era besteira e artista, se não fosse, poderia virar prostituta! Vivi o suficiente pra ver a magnitude de uma festa planetária para receber atletas e o esporte juntamente com a arte demonstrar sua elegância,
Quanta fortuna gasta em nome do esporte e da arte! Fico pensando se não vai fazer falta aos miseráveis? Se eles conseguem mesmo o retorno investido para triunfar, impressionar e mostrar o PODER? tenho minhas duvidas! Cada país quer superar o outro, ainda que explorando seus trabalhadores, expulsando-os de perto das obras que suas mãos levantaram. Substituindo a criança da voz perfeita, mas que é feia, por outra menina linda dublando! Manipulando até a chuva para não estragar a festa. É a tecnologia a favor do homem. Feio e muito feio são os bastidores de tudo que é grande. Há uma massa crua no meio do bolo aparentemente bem confeitado. Grandes obras têm também grandes espaços para esconder a sujeira e espalhar os aromas fétidos. Mas o esporte merece uma festa como essa... diz uma voz dentro de mim, querendo me perguntar se não estou feliz! E uma metade de mim está muito feliz mesmo, mas a outra metade quer entender porque em nome do esporte podem denegrir os não esportistas excluídos(os chineses que constrruiram os monumentos e foram espulsos da cidade mesmo sem receberem seus pagamentos) se a missão do esporte e da arte é SALVAR os terráqueos! Veja: o esporte e a arte... Um é masculino e o outro feminino... Gerando vida! E nessa missão tão nobre é melhor ninguém pegar carona para apenas e simplesmente se auto promover. Esse recadinho também vai para os nossos políticos assim como meu antecipado pedido de que ao construir os monumentos esportivos construam também camarotes especiais para os trabalhadores alpinistas, levantadores de peso,jogadores de tijolo, corredores, que deixaram seu suor misturado no cimento, na massa corrida, no rejunte, na tinta... Que deixaram suas impressões digitais em cada ferro torcido para dá abrigo aos que igualmente como eles lutam para fazer bonito e demonstrar seu amor à pátria. E só assim o esporte e a arte digo, o esportista e o artista e cada medalhista brasileiro terão para quem reverenciar. Só assim o esporte e a arte podem ficar a serviço da paz. Só assim a chama apagada na pira pode continuar acessa nos corações de cada planetário. Ficar na torre da memória. Na chama humana... Do contrario significa apenas o começo do FIM

Mariah
24/08/2008

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