sábado, 23 de junho de 2007


VESTIDO DE BRECHÓ


De saia farta
De cor parda
Sou um vestido de brechó
Sem dona e sem amante
Sinto-me tão só


No meio de tantos vestidos
Novos e formosos
Quem vai querer me adotar?
Posso até atrair um olhar
Que saiba me valorizar


Hoje vivo sem casa
E sem dona
Feito cão abandonado
Caindo da ombreira
Querendo que alguém me veja
Antes que a carrocinha me aceite


Quero uma linda dona encontrar
Para na sua pele escorregar
E em seus braços apertar
Alguém que queira me tirar
Desse corpo quente
Que vou ornamentar


Minha antiga dona
Que era uma formosura
Gostava de me exibir
Em minha plena juventude
Enjoada foi ficando
De me ver ali no canto
Sem querer me usar
Nas festas de fim de ano


Por encanto de repente
Por alguém fui adotada
E de sapatos novos
Saímos por aí
Contra o vento
Que levanta minha saia
Pra mostrar
As lindas pernas
De minha sinhazinha

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