sábado, 23 de junho de 2007















Assim sou eu...

Quando escrevo vou
desenhando quem sou
vou me despindo.
E nessa nudez vou
Mostrando
cada paisagem interior.
E aí vou dizendo
Vou aprendendo
com as letras escondidas
em poços que
de tão profundo parecia
não existir nada.
Foi então que apresentei-me
a mim e só
por isso posso agora
apresentar-me a você
que deseja saber quem sou.
Vem comigo nessa viagem
por terras antigas e ou
te revelo meus segredos
encontrados em gargantas
cheias de sonhos esquecidos.
Nos meus cinqüentanos
dei meia-volta-volver
e cai na capital cearense que
me viu nascer bem
nos braços de São José.
Era um lindo por do sol
E enquanto admiro o
arco-íris percebo que
também estou entardecendo.
E meu crepúsculo
Já distante de minha
Mocidade
Clareia meus cabelos
Embaça a luz
Dos meus olhos
Enquanto encandeia
Meu espírito com a
Chegada da aurora.
Entardecendo
Vou despetalando
Porque a vida
Não está na flor
Fui uma semente cravada
No útero
Hoje sou o útero
Grávido do mundo
Contemplo meu entardecer
A brisa revela
Meus enganos
Meus erros que entorpeceram
Meus idos dias juvenis
Contemplo uma a uma
Todas as minhas rugas
Que generosamente
Chegam sem alarde
Sem dor e
Sem pena.
Contemplo as mãos
Que escrevem isto
Para deixar que
alguém as conheça.
Contemplo meus pés
Que mais parecem asas
E meus tornozelos
De raça.
Contemplo tudo
Até não ter nada
E apenas dar muitas
Graças enquanto a
Noite não cai
A luz não se apague
E o anjo não feche
A cortina.

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