domingo, 10 de maio de 2009

Quando




Quando escuto música
É quando viajo

Quando danço
É quando me acho

Quando escrevo
É quando rezo
E brinco de ser
Viviane Mosé

Quando leio
É do amor que me aposso
É de tesão que me tomo e
Que ilumina até minha sombra

EscrevendoTenho refúgio
Tenho álibe
E um hábito
Nem tão antigo
Nem tão certo
Nem tão sábio
Mas sempre sóbrio
Sempre eu
Sempre, sempre




Fortaleza/2005

sábado, 2 de maio de 2009

Ervas daninhas


Quando estou só
É só quando
Me sinto
Me vejo
E proponho algo que
Me ajude
A ser
A merecer
E crescer
Quando sinto medo
Fico escondida de mim
Distancio-me
E perco-me no labirinto
Tenho vivido entre
Verdes prados
E ervas daninhas
Entre eu e a saudade de mim
Mas a saudade
Já não é mais a mesma
Muito menos as ervas daninhas
Só o verde prado
Da relva verdejante
Onde minh’alma repousa
Inebriada
Entorpecida
Ébria
De tanto caminhar
Quando a noite é fria
Releio meus escritos
Consulto os sábios
Procuro um amigo
E não o encontro com esse meu jeito
Solitário de ser
Na noite escura aproveito
Para me tomar de silêncio
Banhar-me de lama
Fazer uma poesia
E procurar um jeito novo
De ver
De fazer
De dizer
De colher
E então NASCER desse
Barulhento silêncio
Banhada pelas águas
profundas
Do SER

NO CAIS


Entre o que fomos e o que agora estamos nos tornando, há um livro e dentro dele historias de Historia e de historias. Entre tantos contos o que mais fala de saudade é quando o hospede vai embora deixando uma vaga na hospedaria. Milhares se vão todo dia e quando o hospede é um dos meus, velo-me também. Velo os pensamentos. As crenças e encontro todo tipo de ilusões. Velo também o meu corpo, hora tão maravilhoso frente àquele ali já inerte. Serve-me pra lembrar os obrigados não pronunciados. Velo o meu bolso. O dele está mais vazio. Velo outra vez os pensamentos e encontro outros bolsos cheios de méritos. Os próprios méritos que só aparecem nessas horas! E que se diga rapidamente não servem mais pra quase nada a não ser pra alimentar as culpas ou pra velar os caminhos da hospedaria às vezes sob penumbras. Sempre guardamos essas moedas num cofrinho que será nosso passaporte ao país longínquo. E enquanto penso nos pensamentos que estão passando olho às velas em fase terminal e me dou conta do que disse Ruben Alves: “A cera que resta é muito menos que a cera que já se queimou”. E aí meus pensamentos me mostraram quanta cera ainda me resta nessa viagem que tem dois cais. Um é o da partida e o outro o da chegada. Vamos nos concentrar no cais do porto da chegada e comemorar o nascimento espiritual de um dos representantes da hospedaria. Fica uma dor de parto dentro de nós, ainda mais quando nos conscientizamos que estamos a caminho do cais da partida. Mas há festa no cais da chegada onde nossos antepassados cantão as boas vindas enquanto no outro porto, dançamos a valsa da despedida no compasso, no ritmo e com postura de um bom dançarino que confia no grande coreógrafo
O impressionante é que os cais estão sempre lotados à noite. Será que é porque desejamos acorrentar o tempo que anseia em despertar e mostrar suas decisões? Parece que os mortos com seus mistérios não se dão com a claridade e as horas desoladas dos velórios se penduram nas ombreiras da fé onde também se encontram os vampiros da culpa sugando as horas penduradas.
Quando eu deixar a hospedaria, gostaria de viajar nua como quando cheguei ao cais de cá. Apenas banhada pelas águas que me esforcei pra economizar... Pela brisa que um dia armazenei da serra da Meruoca no Ceara e pelo sol que tomo todas as manhas enquanto agou minhas plantas, mas como não posso, já separei minha segunda vestimenta pra encobrir no corpo o que não tem mais sentido e descobrir o sentido do que tem alem desse efêmero corpo. Gostaria também de receber o aviso prévio pra fazer as malas com mais sois, mais luares, incenso de hunos, gotas de orvalho, pingos de chuva e
arcos-iris...assim irei sem medo e sem solidão, deixando apenas um bilhetinho: cuidem das minhas plantas, da minha cachorrinha. Já o meu filho, este precisa é se cuidar.
Deixarei para ele um testamento de palavras faladas em nossas conversas e palavras escritas que não servem como futuro garantido, mas como instrumento pra que meus descendentes conheçam meus pensamentos. O que mais tenho para eles? Será pouco?
Hoje, em enquanto meu irmão Edilberto Pontes, chega ao cais pra iniciar uma nova aventura sempre em busca da felicidade prometida, me apego e vagueio por estes pensamentos e a esta literatura ( ela que foi sua companheira) como o melhor recurso para de lenço branco na mão acenar em sua direção com um sorriso abençoador e um ate breve no cais.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009


Sabor Caramanchão


Não sou máquina de produzir poesia,
ou computador de pensar...
E nem meus versos são
pílulas para qualquer dor,
ou remédio para feridas de amor.
Mas são versos que falam com autenticidade
das vivências do meu sentir poético, ou não...
Vivido no cotidiano da minha,
e das vidas que tocam minha alma.

Não sou perfeita, e nem entendo
dos vestidos com que os poetas
cobrem os corpos de suas poesias.
Não gosto dessa forma quadrada e dura
com que os versos rimados andam,
nem da falta de gingado e molejo,
na dança com as palavras.
Minha poesia tem saias rodantes,
veste chapéu de palha,
trançada pela minha própria mão...
Faço-a com rendas, fitas e laços,
e costuro-lhe lantejoulas coloridas,
- douradas à luz do meu sol -,
com contas de pérolas que eu mesma dori.

Meus versos me causam surpresa,
por desconhecê-los antes de sair de mim,
e depois, não reconhecê-los,
como se de mim não tivessem saído.
É como fossem do "poeta da antiguidade",
cozidos no lirismo de sua ânsia febril,
no pensar poético de suas entranhas.
Por isso, não tenho tempo para
ater-me a métricas e sintaxes,
e outras "étricas" e "axes"...
E lá sei eu o que é isso,
ou entendo de coisas assim?

As asas do moinho dos meus versos, batem soltas,
mesclando a prosa com a poesia,
não se amarrando em postes e endereços,
nem aderindo à movimentos
que não entendo e não conheço.
As palavras que nascem de mim,
- mesmo maturadas no caldo do século 21 -,
são fruto temporão, tardio,
chegadas aos dois anos de vinte,
quando a vida já ia partindo,
fazendo um tempo fora de época...
E guardam ainda, o sabor caramanchão
das roseiras que galgavam
pelas pilastras e ombreiras das portas,
para depois caírem em apaixonantes serenatas,
do sobrado de um velho casarão....

Maria...( blumenau )

sexta-feira, 24 de outubro de 2008



Dançar é compor trilhas no ar

Com as contas do cotidiano vivido

Dançar é unir contos de sol e lua

Que nos ensina dançar o mundo

É brincar de ser o que não se é

E o corpo sendo asa

É pássaro.


(Anália Timbó )

domingo, 19 de outubro de 2008



café

Literatura

E poeta

Formam uma trilogia perfeita

Seja na companhia

De uma madrugada silenciosa

E plena de canções

Seja no aconchego de uma

Agradável conversa

O poeta

Só quer uma desculpa

Para tomar outro cafezinho

E este

Só quer mais uma poesia

Para em uma linda xícara

Beijar a boca do poeta

Que seduzido

Vai deixando nascer

Livre e sabiamente

Mais uma criação literária

Para o seu bel prazer

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

ha uma criança aqui



Quem me ver assim dançando

Não sabe nada de mim

Quem dança é a menina sapeca

O anjo bom

A criança risonha

Enquanto danço

Você fica com o melhor de mim

Com a minha parte sarada

Você fica em mim

De rostinho colado

Pertinho da bailarina

Que nunca cansa

Nunca acorda

Nunca quer ser gente grande

A criança em mim

Dança sob minhas memórias

Desliza sob minhas auroras

Patina sob o gelo do passado

Pra nunca acordar

E morrer sempre assim

Cheia de uma terna

Criancice